ESCOLA DE MEDITAÇÃO

Meditação Kundalini

Por Sw. Suraag (Ivan Salles de Rezende)


A maioria de nós fazemos projetos, perseguimos objetivos e realizações, acumulamos inúmeros compromissos no nosso cotidiano que vão além da capacidade saudável do nosso corpo. Focamos muito mais energia e atenção em objetividades: trabalho, estudo, obrigações sociais, etc. e pouca atenção à nossa maior riqueza: a dimensão interior da consciência, que é a fonte de todas as nossas outras aptidões e capacidades como o pensar e o sentir.


Os condicionantes culturais e sociais que atuam sobre o indivíduo, desde a tenra idade, exigem adaptações físicas, mentais e emocionais em detrimento da nossa livre expressão criativa, emocional, e de livres fluxos de energia em nossos corpos.


“(...) tal cultura não se ajusta aos valores e ritmos do corpo vivo, mas sim àqueles das máquinas e da produtividade material. Não podemos escapar à conclusão de que as forças que inibem a auto-expressão e que, consequentemente, diminuem o funcionamento energético são derivadas dessa cultura e dela fazem parte. Todo ser sensível sabe que é necessária uma energia considerável para se proteger do ritmo frenético da vida moderna, com suas pressões e tensões, sua violência e insegurança”. (LOWEN, Alexander. Bioenergética. Ed. Summus: 1975).


Além das tensões da vida pós-moderna, há também em nosso corpo registros emocionais que trazemos desde a nossa infância. Tais registros são materializados em tensões crônicas inconscientes, que, se outrora serviram para proteger a criança de emoções insuportáveis e não passíveis de elaboração cognitiva, agora elas inibem o livre fluxo das emoções, além de limitar a respiração, restringir movimentos e reduzir a auto-expressão e a vitalidade.


Essas tensões crônicas inconscientes correspondem às couraças musculares e aos nossos padrões de comportamento e condicionamentos psíquicos e emocionais determinados pela nossa estrutura de caráter corporal. A forma como o corpo de uma pessoa foi estruturado para utilizar a energia corporal vai determinar como essa pessoa irá responder às situações da vida.


A Meditação Kundalini pode aliviar parte de nossas tensões musculares e aumentar a nossa autopercepção corporal, permitindo fazermos links de como vivemos e de como utilizamos nosso corpo, receptáculo de toda ansiedade e impactos das nossas exigências egóicas.


A Meditação Kundalini permite o relaxamento da musculatura, liberando-a das tensões do cotidiano e também das tensões mais profundas, oriundas da estrutura de caráter corporal da pessoa. No entanto, a Meditação Kundalini não altera nossa estrutura de caráter, esse é um papel das terapias corporais, como a Bioenergética e da Psicoterapia, mas ela permite a suspensão momentânea dos mecanismos condicionados do nosso corpo/mente e a observação deste processo.


A Meditação kundalini abre uma “janela” às percepções mais ampliadas de consciência e permite também um aumento do fluxo energético corporal, mais natural e espontâneo, favorecendo a elevação da energia da Kundalini.

Despertar da Kundalini – As escolas místicas do Oriente relatam a existência de uma poderosa energia retida na base da coluna. Quando ativada, a Kundalini propicia a dinamização, a transformação e a sublimação dos estados físicos, mental e espiritual, elevando a pessoa dos níveis mais grosseiros para os níveis mais sutis de consciência, trazendo inúmeros benefícios, inclusive em nossa vida prática. Desta elevação da Kundalini resulta a inundação de todo o ser com uma bênção indescritível numa experiência transcendental de união com o Cosmos.


A Meditação Kundalini tem a duração de uma hora e tem quatro estágios, três com música e o último sem música.


Primeiro Estágio: 15 minutos
Fique solto e deixe que todo o seu corpo chacoalhe, sentindo a energia se mover para cima a partir dos pés. Não tire os pés do chão neste estágio. Relaxe todas as partes do corpo, movimente-se até tornar-se o próprio chacoalhar!! Seus olhos devem ficar sempre fechados.
“Quando digo para chacoalhar, quero dizer para chacoalhar sua solidez; seu ser petrificado tem de chacoalhar até as bases, para que ele fluidifique, derreta, flua e quando seu ser fica fluido, líquido, seu corpo o seguirá. Então não há o chacoalho, mas apenas o chacoalhar.” (Osho)
Segundo Estágio: 15 minutos
Dance da maneira que lhe convier, naturalmente, deixe que todo seu corpo se movimente como quiser. Você não será mais o dançarino, mas a própria dança. Os olhos devem permanecer fechados.
Terceiro Estágio: 15 minutos
Feche seus olhos e relaxe, sentado ou em pé, observando, testemunhando tudo o que acontece dentro e fora de você.
Quarto Estágio: 15 minutos
Deite-se, simplesmente relaxe!!

Boa meditação!!!!

Referências Bibliográficas
LOWEN, Alexander. Bioenergética. Ed. Summus, 1975
OSHO. O livro Orange. Meditações do Osho. Ed. Cultrix: 1986.
www.salves.com.br/kun-desp.htm
www.osho.com